Malzoni & Puma GT

Em 1964, Rino Malzoni decidiu pôr em prática seu antigo projeto de construir um automóvel esporte . Escolheu os componentes mecânicos do DKW Vemag pela facilidade da existência de um chassis robusto e da conhecida estabilidade e rapidez do carro que os utilizava, além da performance esportiva diferenciada.

O projeto teve início na sua fazenda em Matão, de nome Chimbó, onde o primeiro protótipo foi construído em chapa de aço. O primeiro protótipo, de linhas arredondadas e o segundo, idêntico aos conhecidos atualmente.

 

A Vemag, que na época, tinha sérios problemas com o excessivo peso dos seus carros nas competições, imediatamente se interessou pelo projeto e testou o carro que , embora melhor que os DKW normais, ainda tinha alta relação peso/potência devido ao peso da carroceria em aço.

 

Após este protótipo, foram encomendados mais três carros estes, feitos em fibra de vidro para reduzir o peso a 720/750 Kg na versão corrida (espartano). O sucesso nas pistas foi imediato, com inúmeras vitórias além de sempre excelentes posições em todas as corridas.

 

Com o sucesso nas pistas, Rino Malzoni reuniu uma equipe composta por Milton Masteguin, Mário César de Camargo Filho, o Marinho e Luiz Roberto Alves da Costa e, com ajuda do lendário Jorge Lettry (que mais tarde também se associou ao grupo no lugar de Marinho que saiu da associação, constituíram a LUMIMARI Ltda., empresa destinada à construção dos GT Malzoni, com nome formado pelas iniciais dos sócios.

 

Para a produção do carro, a oficina foi deslocada de Matão para novas instalações na Avenida Presidente Wilson, em São Paulo.

 

Os primeiros carros produzidos, de nome GT Malzoni mas conhecidos como DKW Malzoni, foram na versão original espartana de uso próprio para as pistas, com um simples acabamento para limitar o peso do carro. Após, devido ao grande sucesso, foi desenvolvido um acabamento interno e externo mais cuidadoso e o carro foi colocado à venda também na versão para as ruas, com pára-choques cromados e outros detalhes melhorados.

 

Consta, porém sem qualquer documento escrito, que foram produzidas aprox. 35 unidades do GT Malzoni de 1964 a 1966.

 

No V Salão do Automóvel de 1966, a LUMIMARI apresentou uma versão redesenhada pelo famoso Anísio Campos , com requintado acabamento denominado PUMA GT passando, mais tarde, a ser conhecido como PUMA DKW.

 

O PUMA GT, recebeu o Prêmio Quatro Rodas destinado ao melhor projeto de auto brasileiro cujo júri era integrado , entre outros, pelo indiscutível Nucio Bertone, dos Studios Bertone da Itália.

 

O PUMA GT passou então para a história do automobilismo brasileiro como a mais bela carroceria concebida neste país, chamando a atenção até hoje pelas linhas agradáveis e ao mesmo tempo agressivas de um verdadeiro puro sangue.

 

Neste mesmo ano, a LUMIMARI teve sua razão social alterada para PUMA Veículos e Motores Ltda.

 

Novamente, consta sem documento para comprovação, que foram construídos entre 1966 e 1967, ano do encerramento da sua produção, 125 PUMAS GT ou segundo outras fontes, 135 unidades.

 

A segunda versão me parece mais coerente, pois já vi em diversas publicações o número total de 171 Pumas + Malzonis, igual a 35 + 135 , fazendo 170 unidades mais uma, que é a minha, montada após o término oficial da produção e numerada via DET de São Paulo, não seguindo a numeração da fábrica. Porém tudo não passa de muita divagação, já que não existem registros de fábrica.

 

Com o término da fabricação dos DKW pela Vemag, a Puma se viu sem uma mecânica para o seu carro, sendo forçada a um novo desenvolvimento sobre a plataforma do Karmann Ghia 1500, que teve sua apresentação em 1968.

 

Tanto os Malzonis como os PUMA GT, tinham mecânica DKW, com motor de dois tempos e 60 HP, desenvolvendo velocidade máxima de 145 Km/h e aceleração de 0 a 100 Km/h em aprox. 19 segundos. Marcas muito expressivas para a época, especialmente se considerado o pequeno motor DKW.

 

Nas pistas, os motores preparados pela equipe VEMAG, liderada pelo excepcional Jorge Lettry, faziam do Malzoni um competidor muito respeitado, mesmo entre as grandes carreteiras com motor Corvette de 8 litros. Os tempos feitos pelos Malzonis na pista de Interlagos, giravam ao redor de 3min. 53 seg., no traçado completo de aprox. 8 Km, coisa difícil de acreditar se consideramos o motor de 1000cc projetado na década de 50 e um pêso ainda alto para um carro de corridas.

 

Hoje, pouquíssimas unidades de GT Malzoni e PUMA GT em condição de marcha são conhecidas, fazendo destes carros um item de muito interesse para os colecionadores.

 

Por: Ricardo Prado

 

Bibliografia: Enciclopédia do Automóvel

 

Consulta ao Sr. Jorge Lettry

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *